Campanha contra gripe

Campanha nacional contra gripe começa no próximo dia 23


País registrou 228 mortes causadas pelo influenza no 1º trimestre; em 2017 foram 28. A campanha nacional de vacinação contra a gripe será realizada a partir do dia 23, no período que é considerado o de maior recorrência da doença. Neste ano, até 31 de março, foram registrados 228 casos de influenza em todo o País. No mesmo período, foram 28 mortes.


Do total de pacientes infectados, o vírus H3N2 foi responsável por 57 casos e dez óbitos. Em relação ao H1N1, foram registrados 84 casos e oito mortes. Ainda houve 50 registros e seis óbitos por influenza B e os outros 37 casos e quatro mortes por influenza A.


Assim que receber as doses da vacina do Ministério da Saúde, o Estado informou a A Tribuna que poderá definir quais serão as regiões prioritárias e antecipar a vacinação. Segundo o Ministério, o cronograma é adaptado conforme a produção e entrega das doses, que só começam a ser produzidas com a autorização da Organização Mundial da Saúde (OMS).


Alerta


A gripe está entre as viroses mais frequentes em todo o mundo. Desde os primórdios da humanidade é causa de surtos e pandemias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 10% da população é infectada anualmente pelo vírus influenza e que 1,2 bilhão de pessoas apresentam risco elevado para complicações. A doença é causada por mais de um tipo de vírus influenza, classificados como A e B – cada um possui subtipos. Os subtipos A que mais frequentemente infectam os humanos são os A (H1N1) e A (H3N2), este último surge como de grande letalidade neste ano. Os subtipos B são classificados de linhagem Victoria e Yamagata.


Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, pessoas de todas as idades são suscetíveis à infecção pelo vírus. Alguns indivíduos estão mais propensos a desenvolverem complicações graves. São os casos de gestantes, puérperas, adultos com idade maior que 60 anos, crianças com idade menor que 5 anos e indivíduos que apresentem doença crônica — em especial, obesidade, diabetes, síndrome de Down, imunossupressão e doenças cardiorrespiratórias.


Atento aos sinais


Diferentemente dos resfriados (causados por outros vírus), a gripe caracteriza-se por sintomas como febre, dor no corpo, tosse, dor de garganta, coriza, calafrios, tremores, dor de cabeça e inapetência. A infecção geralmente dura uma semana e os sintomas podem persistir por alguns dias.


Principalmente nos grupos de maior risco, a doença pode evoluir com complicações respiratórias (como pneumonia viral ou bacteriana) e levar o paciente até mesmo ao óbito.


Segundo a médica Márcia Faria Rodrigues, a transmissão ocorre pelas secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao falar, espirrar ou tossir. Também pode acontecer por meio do contato das mãos com superfícies contaminadas.


Números


Em 2017, foram notificados no Brasil 22.499 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), das quais 18.036 (80,2%) processadas. Destas amostras, 14,9% foram classificadas como SRAG por influenza e 21,3% como outros vírus respiratórios. Entre os casos de influenza, 1,8% correspondiam a H1N1, 9,0% a influenza A não subtipado; 27,3% a influenza B; e 61,9% a H3N2.


Palavra do especialista


A médica Márcia Faria Rodrigues, da clínica Mar Saúde, lembra que a campanha pública de vacinação será voltada para grupos prioritários (veja abaixo). “O governo não consegue vacinar todo mundo, por isso acaba imunizando um grupo prioritário”, argumenta a especialista. Ela chama a atenção para a a importância de pessoas fora desse perfil também se vacinarem. “Quem não faz parte do grupo de risco não tem direito à vacina do governo. Por isso, estão morrendo mais. É preciso se vacinar”, explica.


Para ela, a chance de a Baixada Santista viver um desabastecimento da vacina é muito grande. “É uma questão de tempo. Este é mais um surto que tem potencial para ter o mesmo caos dos anos anteriores. Toda vez que tem surto, tem caos”, reclama a médica.


Para ela, o brasileiro não costuma dar muito valor para vacinas. “É um pensamento meio inconsequente. Se você vai fazer uma viagem internacional e a agente de turismo fala que é obrigatório, a pessoa toma, porque ela precisa do certificado internacional. Mas a gente tem que tomar vacina para prevenir doenças”, ensina Márcia. Fonte: Gustavo T. de Miranda | A Tribuna