Dia 26 de maio de 1891, emancipação de Barreiras!

 

Quem foi a principal personagem nessa luta vitoriosa pela independência de nossa terra, que a tornou município, com a sua Intendência - assim se chamava, então, a Prefeitura e seu Conselho Municipal - nome dado hoje à Câmara de Vereadores?

 

Arrisco-me a dizer que foi a chuva abundante, que, mesmo Barreiras estando no nordeste, muito castigado pela seca, aqui a nossa região é privilegiada, presenteada com chuvas torrenciais, que fazem seus rios transbordarem, em inundações como a da primeira foto, que é, talvez, de 1997, foi reproduzida por Napoleãozinho, o filho, também fotógrafo, de Napoleão de Mattos Macedo. 

Note até onde chegou a altura da enchente no paredão do cais! O céu ficava branco de neblina e refletia essa cor nas águas do nosso rio Grande!
Note até onde chegou a altura da enchente no paredão do cais! O céu ficava branco de neblina e refletia essa cor nas águas do nosso rio Grande!

Meu cálculo da data é porque ainda existia o La Barca, situado onde o cais terminava, para dar lugar ao porto, e vemos no paredão o nome de Saulo (Pedrosa), que havia concluído seu primeiro mandato no ano anterior, dando lugar a Antônio Henrique.


A enchente subiu o nível do rio Grande até mais da metade do cais, atingindo a rua e chegando até perto das casas.


Abençoada enchente, que vai levar sua água às terras de cultivo e ainda fazê-las descer pelo chão, para alimentar o lençol freático, hoje chamado Aquifero Urucuia, de onde brotam nossos rios e riachos o ano inteiro!


Não existindo foto da posse do Intendente (Prefeito) e dos Conselheiros (Vereadores), sendo investidos em seus cargos em 26 de maio de 1891, usamos a de 1948, quando, após terminar a ditadura de 15 anos de Getúlio Vargas,houve a primeira eleição, seguida da posse dos Vereadores e do Prefeito Sabino Puauhy Dourado, pelo Juiz de Direito de Barreiras, no salão onde funcionava o Fórum, na mesma casa da Prefeitura, que foi dividida por paredes entre os três poderes da democracia: Executivo, à esquerda do corredor de entrada; salão para o Judiciário à direita, na atual Praça Duque de Caxias; e como a casa ia de um lado a outro, atravessando o quarteirão, já na outra rua, que fica em frente ao que é hoje chamado mercado velho, instalou-se a Câmara de Vereadores.

 

Agradeço a minha prima Maria do Socorro Dourado Gentil, filha do primeiro vereador sentado à direita da mesa, Pedro Piauhy Dourado, por haver-me cedido essa foto, única que se tem do Prefeito e Vereadores antigos em uma cerimônia oficial. Se alguém possuir outra, deve publicá-la, peço pelo bem da nossa história!

No salão em que funcionava o Forum, o Juiz de Direito dá posse aos Vereadores. O quadro na parede já é do Presidente Eurico Gaspar Dutra, eleito democraticamente. O primeiro Vereador à direita é o Sr. Pedro Piauhy Dourado; o terceiro é o Sr. Lídio, o quinto é o Dr. Aroldo Cavalcante, médico, que logo depois foi eleito Presidente da Câmara. Em pé, atrás do Dr. Aroldo, está o Sr. Sabino Piauhy Dourado, Prefeito eleito, que seria empossado logo depois. Os nomes que faltam é porque não sei com certeza. Você sabe? Então poste, e estará prestando um serviço relevante à história de Barreiras!
No salão em que funcionava o Forum, o Juiz de Direito dá posse aos Vereadores. O quadro na parede já é do Presidente Eurico Gaspar Dutra, eleito democraticamente. O primeiro Vereador à direita é o Sr. Pedro Piauhy Dourado; o terceiro é o Sr. Lídio, o quinto é o Dr. Aroldo Cavalcante, médico, que logo depois foi eleito Presidente da Câmara. Em pé, atrás do Dr. Aroldo, está o Sr. Sabino Piauhy Dourado, Prefeito eleito, que seria empossado logo depois. Os nomes que faltam é porque não sei com certeza. Você sabe? Então poste, e estará prestando um serviço relevante à história de Barreiras!


A foto seguinte é do povoado Gameleira, que fica, no nosso município, depois do Barrocão. Não tendo foto de Barreiras em 1891, escolhi a beleza singela da igreja e cruzeiro desse povoado, que foi personagem importante na nossa história, com o Sr. Ângelo da Gameleira, que chegou como imigrante a Barreiras, em busca de terra boa para o plantio de cana e água abundante para irrigá-la. Prosperou com o trabalho árduo e honesto, chegando ao ponto em que planejou aumentar a produção de rapaduras - então importantíssimo artigo de exportação, pelos barcos, para a parte seca do Nordeste.

Igrejinha do povoado Gameleira, com seu solene cruzeiro à frente.
Igrejinha do povoado Gameleira, com seu solene cruzeiro à frente.

Para isso, buscou e encomendou moendas de ferro para triturar a cana, pois as de madeira, feitas aqui, embora sejam verdadeiras obras de arte criativa, quebravam-se com facilidade e davam muito menos produção. Imaginemos o trabalho exaustivo para essas moendas férreas serem embarcadas primeiro no trem de ferro, de Salvador a Juazeiro; aí chegando, tomariam o navio a vapor, que as traria a Barreiras e... daí até a Gameleira seriam levadas em carros de boi.

Fico pensando em quantas juntas de bois mansos foram necessárias para conduzir uma carga tão pesada!! Mas o trabalho competente - este é outro personagem de Barreiras - venceu os obstáculos e o Sr. Ângelo passou a fabricar 1.000 (mil) rapaduras por dia!! Pena não termos nenhuma foto dele, mas seus descendentes ainda moram lá na Gameleira e preservam com cuidado essas moendas férreas, que podem até se tornar objeto de visitação turística!

 

A seguir, fotos de mais longe e de perto dessas moendas, que são, elas mesmas personagens da nossa história!

No engenho de cana, moenda de férro que era acionada por bois para triturar a cana de açúcar, a fim de fabricar rapaduras.
No engenho de cana, moenda de férro que era acionada por bois para triturar a cana de açúcar, a fim de fabricar rapaduras.

 

Moendas do engenho de ferro, que dá muito maior produção que o de madeira, importado pelo Sr. Ângelo da Gameleira.
Moendas do engenho de ferro, que dá muito maior produção que o de madeira, importado pelo Sr. Ângelo da Gameleira.
Outro engenho de ferro situado na Gameleira, que ainda é usado pelos descendentes do Sr. Ângelo.
Outro engenho de ferro situado na Gameleira, que ainda é usado pelos descendentes do Sr. Ângelo.
Moendas de ferro e dois tachos de cobre, à frente, onde é colocado ao fogo o caldo da cana, para se rrmexido com grande colher de pau, até sair toda a água, transformando-se na solidez da rapadura.
Moendas de ferro e dois tachos de cobre, à frente, onde é colocado ao fogo o caldo da cana, para se rrmexido com grande colher de pau, até sair toda a água, transformando-se na solidez da rapadura.

Por fim, no dia em que fui à Gameleira fazer essas fotos, deparei-me com duas mulheres ao pilão, pilando milho para as galinhas, sincronizadamente, cada uma bate de sua vez, coisa que não fácil... É a tradição ainda viva em nossa terra!

Note a perícia e sincronia, para duas pessoas poderem pilar o milho em um pilão.
Note a perícia e sincronia, para duas pessoas poderem pilar o milho em um pilão.
Texto de Ignez Pitta (https://www.facebook.com/IgnezPitta)
Fotos (Reprodução)