SINDSEMB: SINDICATO, OPOSIÇÃO E ALTERNÂNCIA

A relação conturbada entre o sindicato dos servidores municipais e a prefeitura de Barreiras – desde o início da atual gestão – tem demonstrado claramente quanto importante é, para setores representativos da sociedade local, o confronto político puro e simples. Agem erroneamente os dois lados. O governo por atacar o problema e não a causa, o sindicato por comportar-se como uma agremiação partidária.

Com a falha do atual prefeito, que havia prometido ainda na campanha eleitoral – durante o debate entre os candidatos na TV – que não voltaria a atrasar os salários dos servidores, como ocorreu nos últimos meses de sua segunda gestão (2001 a 2004), o Sindsemb cumpriu com vigor sua obrigação elementar, agindo em defesa dos seus associados, assustando assim a casta do governo, sobretudo dado a trajetória “chapa branca” da entidade.

A postura altiva e independente do recém alforriado sindicato fez com que alguns dos principais adversários políticos do prefeito Antonio Henrique passassem a transitar com freqüência o Centro Histórico da cidade. Ainda incapaz de organizar um discurso propositivo, somada a ausência de liderança, os opoentes do alcaide se reuniram em torno do Sindsemb. Com a instalação do bunker oposicionista na Praça Duque de Caxias, a bandeira sindical acabou reduzida à atuação panfletária.

Apesar de inerente ao embate político, o choque de posições entre a presidente do Sindsemb, Carmélia da Mata e o Governo do Trabalho não é mais tão somente um confronto de ideias, muito menos o exercício ou a prática do contraditório. Os últimos movimentos evidenciam que a coisa é pessoal. Carmélia enfrenta a ira não apenas dos encastelados no Palácio Municipal, mas também históricos militantes do movimento sindical de Barreiras, hoje ocupantes de cargos em vários níveis governamentais.

No mais recente capítulo deste prélio antididático, a prefeitura suspendeu sumariamente o pagamento dos salários de Carmélia e da vice-presidente do sindicato, Katiúscia Carvalho, com as ausências de aviso prévio, de inquérito administrativo e do amplo direito de defesa, como exige a ordem jurídica brasileira. Alega a municipalidade que as mesmas pertencem ao quadro funcional do magistério e que por este motivo não poderiam exercer representação no Sindsemb e sim numa associação específica da categoria.

Como esperado, o ato discricionário acabou sofrendo um revés. No último dia 24, a juíza Marlise Freire Alvarenga, da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Barreiras, concedeu liminar em favor das sindicalistas determinando que a prefeitura efetuasse o pagamento do salário das mesmas. Se o atual governo municipal tivesse de fato zelo para com o perfeito funcionamento da máquina administrativa, bem como pelo cumprimento das leis, estaria, por exemplo, rebatendo críticas com ações concretas e positivas, inclusive pagando servidores e fornecedores em dia, e não tentando intimidar posições discrepantes.

O resultado desta empreitada, ainda que seja debilitar o poder da presidente Carmélia da Mata, terá como consequência o desmantelamento do sindicato enquanto grupo de pressão que tem como propósito a defesa comum dos direitos dos servidores municipais. Para estes, que querem impor de goela abaixo o que acreditam ser o correto, não é preciso refletir sobre o futuro, de igual forma não consideram o fato da alternância de poder. Quem hoje abusa da caneta, amanhã voltará ao megafone. (Fernando Machado | ZDA)

Fonte: http://sindsemb.blogspot.com.br/2014/01/sindsemb-sindicato-oposicao-e.html